A indústria formou a primeira camada.
Minha trajetória começou na indústria, antes de CRM, lifecycle ou marketing. Trabalhei com implantação de sistemas CAD/CAM para engenharia e manufatura, realizando treinamentos, apresentações e suporte técnico. A tecnologia só fazia sentido quando melhorava uma rotina concreta.
Depois, na gestão de projetos e na implantação de sistemas MES, passei a lidar com escopo, pré-requisitos, recursos, cronogramas, redes, ERP, bancos de dados e qualidade de entrega. Processos, dependências e responsabilidade deixaram de ser conceitos abstratos.
Tecnologia e design permaneceram como prática contínua.
Em 2017, iniciei a faculdade de Desenvolvimento de Sistemas. Design era minha primeira opção, mas eu não consegui a bolsa e segui para desenvolvimento. A escolha não apagou o interesse anterior. Passei a estudar aplicações, lógica e sistemas sem abandonar a atenção à experiência, à comunicação e à forma.
Desenvolvimento permaneceu como hobby e aprendizado contínuo. Tecnologia muda rápido e repertório técnico se perde quando não é praticado. Ao mesmo tempo, fiz trabalhos de design para pequenos comércios locais e mantive contato com construção visual, identidade e materiais de comunicação.
Na Giver, CRM deixou de ser ferramenta e virou responsabilidade de negócio.
Entrei na Giver para atuar em Customer Success. A empresa era uma plataforma de CRM e, para entregar meu trabalho, eu precisava ajudar clientes de diferentes segmentos a tracionar e rentabilizar o uso da ferramenta.
Não bastava ensinar funcionalidades. Eu precisava estudar continuamente, sugerir estratégias, construir planos táticos, apoiar o aculturamento das equipes e tornar o valor do CRM visível para que a plataforma permanecesse relevante dentro das empresas. Reter uma conta dependia de fazer o cliente transformar uso em resultado.
Essa experiência construiu uma formação prática intensa. Todos os dias eu precisava traduzir possibilidades técnicas em ações de relacionamento, retenção, expansão e receita, adaptadas a negócios diferentes.
Na Clamed, o conhecimento passou a operar por dentro.
Quando assumi uma posição de analista de CRM na Clamed, eu já chegava com repertório de estratégia, adoção, relacionamento e operação. A mudança não marcou o começo em CRM. Marcou a passagem do lado da plataforma e dos clientes para a aplicação interna desse conhecimento.
Nas experiências seguintes, aprofundei lifecycle, segmentação, automação, dados, MarTech, mensuração, governança e integração entre áreas. CRM passou a ser uma disciplina conectada a Produto, Customer Experience, Customer Marketing, Dados e Tecnologia.
O trabalho com CRM sempre esteve perto dos times criativos e técnicos.
Jornadas e campanhas não são construídas apenas dentro da plataforma. Ao longo da experiência com CRM, trabalhei continuamente com times de branding, design, copy, agências e criação, além de Produto, Dados, Engenharia e Tecnologia.
Esse contato ampliou minha capacidade de discutir mensagem, identidade, experiência, limitações de canal, requisitos técnicos e impacto no negócio. O design apareceu primeiro como interesse e prática. Depois, tornou-se uma interface constante do trabalho com relacionamento e experiência do cliente.
Hoje, minha contribuição não está em oferecer três serviços separados. Está em compreender como marca, Growth e tecnologia se afetam, identificar onde o gargalo realmente está e propor uma solução coerente com o sistema inteiro.
A carreira não saiu da indústria para o marketing. Ela acumulou camadas: processo, sistema, design, adoção, relacionamento, dados, crescimento e construção empresarial.
Três princípios atravessam todos os capítulos.
Diagnóstico antes do escopo.
A disciplina ou ferramenta não deve ser escolhida antes que a causa, as dependências e a decisão necessária estejam claras.
Adoção antes da escala.
Uma implementação termina quando a solução entra na rotina e o time consegue sustentar a nova forma de operar.
Integração antes da execução.
Marca, Growth e tecnologia precisam responder à mesma lógica de negócio, mesmo quando o projeto se concentra mais profundamente em uma delas.